Ceará deve crescer 1% do PIB em 2017, aponta Panorama Industrial

Ceará deve crescer 1% do PIB em 2017, aponta Panorama Industrial
Fábrica de calçados em Nova Serrana (Foto: TV Integração/Reprodução)No Brasil, taxa de desemprego deve permanecer alta, em torno de 12% (Foto: TV Integração/Reprodução)

Em 2017, o Ceará deverá apresentar crescimento de aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB), influenciado positivamente pelo crescimento do setor de energias renováveis e das exportações agroindustriais. Nesse sentido, é importante que se concretize os prognósticos de chuva acima da média no Estado, reduzindo os efeitos econômicos e sociais gerados pelos cinco anos consecutivos de seca. É o que mostra estudo produzido pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), divulgado nesta quarta-feira (4).

O cenário nacional não é muto diverso. De acordo com o Panorama Industrial, produzido pelo Núcleo de Economia e Estratégia da Fiec, indicam que 2017 será um ano de ajustes – com taxa de crescimento próxima a 0,5%. De acordo com o documento, isso ocorrerá por causa da significativa herança ruim dos últimos anos (o “efeito carregamento”, como intitulam os economistas).

“A retomada do crescimento, portanto, será lenta devido à gravidade da crise e, por causa disso, o mercado de trabalho permanecerá instável, com a taxa de desemprego acima de 12%. A superação da crise tem no ambiente político o seu maior risco”, diz o estudo.

Apesar da superação da crise ainda não ser uma realidade, o Panorama Industrial aponta como fatores positivos o controle da inflação (o IPCA deverá ficar abaixo de 6,5%, teto da meta para 2016, e próximo ao centro da meta em 2017), que permite a redução mais acelerada dos juros no País.

O estudo também cita como positiva a agenda de políticas públicas voltadas ao crescimento econômico, como a reforma política bem como a reforma tributária, além de medidas com impacto na elevação da segurança jurídica, como a flexibilização de uma norma de segurança a trabalhadores no manuseio de máquinas e equipamentos na indústria, além da regulamentação da terceirização.

MP cobra explicações sobre obras paradas no Ceará

MP cobra explicações sobre obras paradas no Ceará
Foto FÁBIO LIMA

Acquario Ceará: a obra está parada há quase um ano. Agora, Governo do Estado busca parceiro privado para o equipamento

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) está levantando se há danos ao erário em obras paradas ou sem utilização para que o dinheiro seja devolvido aos cofres públicos. Na próxima segunda-feira, 9, enviará ofício ao Governo do Estado requerendo dados, por meio da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), que devem ser entregues em até 15 dias úteis da confirmação do recebimento na secretaria. Os dados serão checados com levantamentos do MPCE e embasarão ação civil pública do órgão contra os responsáveis por atrasos e ineficiência dos equipamentos.

 

“Desde que se encerrou o Governo passado, diversas obras inacabadas que foram iniciadas continuam totalmente abandonadas. Diante disso, resolvemos fazer levantamento dessas obras, por meio de oficio que nós estamos encaminhando à Seinfra”, explica o promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Ricardo Rocha.
Por enquanto, o ofício inclui as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ramal Parangaba-Mucuripe; Acquario Ceará; ampliação do Aeroporto Internacional Pinto Martins, Transposição do São Francisco; Hospital de Quixeramobim; Centro de Formação Olímpica (CFO); Refinaria Premium II; trechos de obras na BR-116, viadutos e passarelas inacabados. Além de materiais como tuneladoras para cavar a Linha Leste do Metrô de Fortaleza; e outros equipamentos deteriorados.
Será questionado em que altura está cada uma das obras, o percentual executado, o que falta para ser concluído, motivo pelo qual não houve finalização e quem foram os responsáveis por atrasos e ineficiência.
“O objetivo disso é para que tenhamos certeza do levantamento exato de quantas e quais são essas obras e do que precisa ser feito para que ela seja terminada ou se não há solução. Além de saber quem foram os responsáveis por essa falta de planejamento, porque tudo isso é falta de planejamento, é incompetência. Em algumas delas, alegam-se fatores externos, mas o bom governante é aquele que se paneja inclusive para esses fatores”, diz Ricardo.
O promotor afirma já ter dados das obras, por meio de levantamento feito no Governo do Estado e de servidores que não quiseram se identificar, nos Tribunais de Constas do Estado (TCE) e dos Municípios (TCM). Mesmo assim, diz que pedirá relatório da Seinfra para ter certeza absoluta dos danos ao erário.
André Facó, titular da Seinfra, afirma que o Governo já tem adotado medidas administrativas “há muito tempo”, verificando paralisação e serviços inadequados. “Não é somente verificar o que não foi feito, mas o que foi feito e apresentou defeito e isso se tem somente quando tem a operação experimental. Acrescenta que sempre atende às demandas do MPCE e tem tomado medidas para que haja alinhamento com órgãos de controle.
O POVO tentou contato com o ex-governador do Estado, Cid Gomes, mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição. O Governo do Estado informou que responderá hoje aos questionamentos do O POVO em relação ao Hospital de Quixeramobim, Transposição do rio São Francisco e Refinaria.

 

Saiba mais
Sobre o VLT, o promotor diz que houve prejuízo de R$ 8,5 milhões ao cofres públicos no âmbito Federal e que ele busca os danos em nível estadual. A obra tem 3,6 km, equivalente a 70% do trecho 2, que vai da Estação Borges de Melo à Parangaba, e 30% dos 13,4 km totais que finda no Mucuripe. Os 3,6 km estão em operação experimental e devem entrar na comercial até março. A previsão da Seinfra é de que os três trechos do VLT estejam concluídos até o fim do ano e entre em operação comercial em 2018
Acquario Ceará está parado desde fevereiro de 2015 e será concedido à iniciativa privada. A obra de concreto está com 65% de conclusão e 18% dos equipamentos foram instalados
A Transposição do São Francisco é obra federal, mas o MP investiga se há prejuízo ao erário estadual em alguma contrapartida
Também federal, a ampliação do Aeroporto Pinto Martins, que será concedido à iniciativa privada, tem 25% das obras prontas, equivalente à execução de R$ 83,69 milhões.
Sobre o CFO e Hospital de Quixeramobim, o promotor Ricardo Rocha diz que investiga porque não são utilizados apesar de prontos e cobrará o tempo parado.
Tuneladoras, o promotor afirma que elas podem não funcionar quando a obra do Metrô reiniciar. Mas Seinfra contesta a informação.

Beatriz Cavalcantebeatrizsantos@opovo.com.br