DIA DA MULHER – CONSTRUÇÃO PESADA

Em 08 de março, comemoramos o dia internacional da mulher, data que traz a memória a luta das mulheres por melhorias nas suas condições de trabalho. Relembra-se nesse dia, as operárias de uma fábrica têxtil, em Nova Iorque (EUA), que lutavam por redução de jornada de trabalho, aumento salarial e descanso dominical. Estas efetuaram uma passeata, mas devido a repressão policial tiverem que se refugiarem em uma fábrica, na qual foram trancadas e atearam fogo no local, levando a morte daquelas mulheres. Evento que alguns estudiosos afirmam que aconteceu em 1857.

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O ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas. Apesar dos avanços importantes obtidos pelas mulheres, ainda é desigual a situação que enfrentam em relação aos homens. Essa desigualdade se manifesta no mercado de trabalho, onde as mulheres normalmente estão em maior proporção entre desempregados, e sua ocupação se faz mais presentes em trabalhos precários.Desde meados de 2003, observou-se expressiva melhora das oportunidades de trabalho, a maioria, ligadas à formalização das relações de trabalho, ampliadas substancialmente pelo aumento do número de trabalhadores com carteira assinada, espraiada em todas as regiões do território nacional. À reboque do aquecimento do mercado de trabalho a inserção feminina, historicamente foi dificultada pela cultura machista predominante na cultura brasileira.

No ambiente de trabalho como o setor da construção pesada, onde a inserção do homem prepondera, as oportunidades para as mulheres são pequenas, apesar de ter se ampliado, mesmo timidamente, com o aquecimento do setor da construção como um todo.

O mercado de trabalho formal dos profissionais da Construção Pesada do Ceará contava com 26.851 empregados, segundo os dados da RAIS 2013, sendo que 92,1% (24.734) eram homens e mulheres 7,9% (2.117). A predominância de homens é característica na construção civil, porém ano após ano  cresce a quantidade de mulheres nesse setor. De 2010 para 2013 houve um aumento de 56,6% na quantidade de mulheres na construção pesada, sendo que o crescimento de vínculos no setor, mesmo período, foi de 4,0%. Analisando as faixas salariais por grau de instrução, constatamos que a remuneração média das mulheres é inferior à dos homens. O salário médio pago, de acordo com o grau de instrução do trabalhador, é menor para as mulheres, exceto para a trabalhadora com mestrado. A maior diferença observada, em 2013, foi dentre os trabalhadores com ensino médio incompleto, onde a remuneração feminina representava 52,38% da masculina, seguido dos trabalhadores com ensino fundamental completo, que o salário da mulher correspondia a 59,61% do provento dos homens. A menor diferença foi registrada entre os funcionários com doutorado, 98,48%. Tabela 1.

Tabela 1 – Salário Médio (R$) dos Profissionais da Construção Pesada Admitidos- por gênero – 2013

Escolaridade Homens Mulheres Mulheres/Homens
Analfabeto  R$              1.066,71  R$                 939,65 88,09%
Até 5ª Incompleto  R$              1.345,88  R$                 843,20 62,65%
5ª Completo Fundamental  R$              1.278,29  R$                 805,59 63,02%
6ª a 9ª Fundamental  R$              1.360,70  R$                 828,97 60,92%
Fundamental Completo  R$              1.417,08  R$                 844,78 59,61%
Médio Incompleto  R$              1.420,76  R$                 744,25 52,38%
Médio Completo  R$              1.612,07  R$              1.183,24 73,40%
Superior Incompleto  R$              2.532,69  R$              1.779,23 70,25%
Superior Completo  R$              6.088,70  R$              4.030,45 66,20%
Mestrado  R$              3.988,78  R$              7.764,74 194,66%
Doutorado  R$              2.603,49  R$              2.563,85 98,48%

Fonte: RAIS/MTE

Elaboração: DIEESE/SS SINTEPAV-CE.

NA distribuição entre os trabalhadores, por escolaridade e gênero, observou-se que 41,23% dos trabalhadores tinha escolaridade a partir do ensino médio, e mais que o dobro, 83,09% das trabalhadoras tinham essa mesma escolaridade, enfatizando assim, que as mulheres tem mais anos de etudo que os homens, entretanto, como foi exposto na tabela 01, ganham menos. (Tabela 2)

Tabela 2 – Distribuição por escolaridade dos trabalhadores da construção pesada – 2013

Escolaridade Homens Mulheres Homens Mulheres
Analfabeto 356 5 1,44% 0,24%
Até 5ª Incompleto 2.229 48 9,01% 2,27%
5ª Completo Fundamental 1.414 18 5,72% 0,85%
6ª a 9ª Fundamental 4.448 69 17,98% 3,26%
Fundamental Completo 4.485 121 18,13% 5,72%
Médio Incompleto 1.605 97 6,49% 4,58%
Médio Completo 8.723 1.041 35,27% 49,17%
Superior Incompleto 301 204 1,22% 9,64%
Superior Completo 1.161 508 4,69% 24,00%
Mestrado 8 5 0,03% 0,24%
Doutorado 4 1 0,02% 0,05%

Fonte: RAIS/MTE

Elaboração: DIEESE/SS SINTEPAV-CE.

A maioria das mulheres estavam em cargos de Diretoras, Gerentes, Engenheiras e Escritório, totalizando 61% do total. As demais estavam: 34% na Produção; e 5%, na Saúde e Segurança.

Fazendo a mesma análise para os homens, constatou-se 88% estavam alocados na Produção, os demais, 6% no Escritório, 5% eram Diretores, Gerentes e Engenheiros e, apenas 1% em Saúde e Segurança.

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