MPF-CE investiga abandono dos ‘tatuzões’ de R$ 138 mi usados na construção do metrô

Os chamados ‘tatuzões’ viraram alvo de ladrões.

Ministério Público do Ceará investiga a compra de quatro máquinas usadas para escavar túneis do metrô de Fortaleza e também quer saber porque os equipamentos estão se deteriorando, sem uso. O Governo do Ceará gastou mais de R$ 138 milhões, mas a obra não saiu do papel e essas máquinas estão enferrujando e viraram alvo de ladrões. Peças gigantes ocupam um terreno perto da praia, no Bairro Moura Brasil. São partes desmontadas de quatro tuneladoras ou ‘tatuzões’, como são chamadas.

“O que causa espécie ao Ministério Público Federal é o fato do Estado ter adquirido todos os equipamentos. Isso não acontece em nenhuma obra. Em todas as obras que esses equipamentos são utilizados são alugados pelas empresas que executam a obra”, explica o procurador da república, Alessandro Sales.
Os tatuzões também viraram caso de polícia. Em junho do ano passado, um diretor de obras do metrô registrou um Boletim de Ocorrência (BO), relatando o roubo de cabos elétricos de cobre, peças de gerador e motores. Até contêineres foram arrombados.

“Ele falou que homens tiveram acesso à obra, pularam pela madrugada, conseguiram serrar a peça e conseguiram levar. E ele disse que eles haviam conseguido fazer isso pela segunda vez”, afirmou o delegado Romero Almeida.
Apesar do roubo, a Secretaria de Infraestrutura do Ceará, informou que o material foi guardado corretamente e que os cuidados são suficientes para manter os equipamentos em bom estado. Mas, é fácil perceber que as poucas peças com lonas estão mal cobertas. Outras foram tomadas pelo mato. E muitas estão deterioradas pelo tempo.
Segundo o próprio governo, as peças já estão no terreno há três anos e meio. Chegaram neste terreno um ano antes que as obras da linha leste do Metrô de Fortaleza fossem paralisadas por causa de uma troca de empresas que faziam parte do consórcio.

Da obra de mais de R$ 3,25 bilhões, só os tapumes foram erguidos. Nem um centímetro chegou a ser perfurado. E enquanto as máquinas que fariam os túneis nem chegaram a ser montadas, a população lamenta a falta de um meio de transporte mais rápido.

“Demora. Tem a questão de trânsito que é muito congestionado neste horário de pico e essa linha aqui seria fundamental”, afirmou o estudante Antônio dos Anjos.
“Se fosse metrô, com certeza eu ia chegar em casa mais rápido”, falou a manicure, Natália Rodrigues.
Sobre os tatuzões, a Secretaria de Infraestrutura do Ceará, disse que todos os equipamentos vão passar por manutenções mais complexas que vão garantir o funcionamento quando as obras forem reiniciadas o que ainda não tem prazo para acontecer.

Fonte: G1

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